Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

Ahh, como esperei tanto para que esse filme realmente saísse do papel! Como vocês já devem ter percebido, sou fã da franquia de Jurassic Park, e desde pequeno, sempre fui muito fascinado com dinossauros. Tudo o que eu pedia de presente se resumia em uma única coisa: dinossauros. Hoje, em virtude disso, tenho uma estante repleta das minhas mais preciosas miniaturas desses animais extintos há 65 milhões de anos. 
Resenhado aqui no blog, na coluna Backstage, Jurassic Park, nunca saiu da cabeça de qualquer pessoa que gosta de apreciar um bom filme de ficção científica. Certamente, o longa foi um dos filmes que marcaram a década de 90, principalmente pela sua inovação e riqueza em detalhes jamais vistos antes no mundo cinematográfico. O grande nome por trás de todo esse sucesso é nada mais, nada menos do que o renomado diretor de cinema Steven Spielberg, que nos anos 80 já havia dirigido E.T.- O Extraterrestre, campeão de bilheteria. 
Primeiro poster lançado pela Universal
Pictures para a divulgação de Jurassic World
Mesmo após o lançamento dos dois filmes que sucederam Jurassic Park, eu já estava ansioso para poder voltar novamente à Ilha Nublar através de mais uma empolgante aventura. Muitos rumores sobre o possível Jurassic Park 4 (chamado popularmente na época), circularam por sites sites de entretenimento ao redor do mundo, despertando no público uma esperança de ver os dinossauros nas telonas, mais de uma década após o lançamento do terceiro filme da franquia. O que não faltou foram perguntas destinadas ao diretor Steven Spielberg em muitas coletivas de imprensa à respeito da continuação, mas, envolvido com outros projetos na época, Steven dizia que ainda era cedo para falar sobre Jurassic Park 4, o que de certa forma deixou muitos fãs frustrados. 
Já em 2013, com o relançamento de Jurassic Park nos cinemas, na versão 3D, surgiram várias informações sobre a continuação da franquia, que finalmente iria acontecer. Nem todos os cargos necessários para o desenvolvimento do filme estavam prontos, mas, Spielberg declarou que não assumiria o posto de diretor e sim de produtor. Sendo assim, Steven convidou Colin Trevorrow para dirigir o filme que prometia levar algo nunca visto pelo público, e que possivelmente criaria uma nova trilogia para Jurassic Park. Em 2014, a Universal Pictures anunciava para o mundo a volta dos animais em Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros.
Lançado o primeiro trailer em 2014, já era de se esperar que a saudade por essas grandes criaturas não tinha se perdido no tempo, principalmente porque o trailer oficial alcançou a marca de 30 milhões de visualizações em apenas 3 dias! Sim, eu estive bem atento à  esses números. A única contagem que não consegui guardar foi a de quantas vezes eu assisti ao trailer. 
Junho de 2015 prometia ser um dos meses mais aguardados pelos fãs da franquia, assim como eu. E é claro que não poderia perder a magnífica estreia de Jurassic World nos cinemas no dia 11/06, a mesma data de estreia de Jurassic Park, 22 anos atrás. Desde os lançamentos dos trailers e dos spots liberados na TV americana, fiquei fazendo as minhas hipóteses de como o filme seria e qual enredo poderia ser mais abordado. Como todos sabem, o parque agora é um sucesso e recebe visitantes de todos os cantos do mundo, atraindo pessoas para a ilha mais fantástica que pode existir. A inovação da vez é a presença de um dinossauro híbrido, resultante da mistura de genes de outras espécimes presentes no parque. Seu nome: Indominus Rex.
Em Jurassic World, temos a presença de Bryce Dallas Howard, interpretando Claire, a diretora do parque e a responsável por manter a ordem administrativa do local; Chris Pratt no papel de Owen Grady, ex-militar, criador e domesticador de Velocyraptors; Nick Robinson e Ty Simpkins, interpretando Zach e Gray, respectivamente, os sobrinhos da diretora. Ainda contamos com Irrfan Khan, vivendo o papel de Simon Masrani, o dono do parque e um dos homens mais ricos do mundo.
Imagem e edição: O visual de Jurassic World é de tirar o chapéu. Pela primeira vez, o parque está funcionando, recebendo 20 mil visitantes diariamente, e você, é aquele que está no cinema apreciando todo aquele espetáculo, e se dá conta de que nada ali é real. As imagens que mostram as novas estruturas do Centro de Visitantes são magníficas, principalmente os hologramas dos dinos do parque temático. A alimentação da Mosasaurus, o passeio na girosfera, o ataque da Indominus Rex e dos Pteranodons e Dimorphodons estão entre as minhas cenas favoritas do longa. Mesmo com aquelas imagens brilhando em nossos olhos, é possível perceber alguns erros básicos de filmagens, um deles é o momento no qual a Mosasaurus captura a Pteranodon, e ao mergulhar no tanque, espalha água para todos os lados, sendo que algumas gotículas foram parar nas câmeras da equipe. Se foi proposital ou não, ainda fico na dúvida. Toda a estrutura de Jurassic World está incrível, desde os grandes telões na sala de controle, até o laboratório de criação, onde ficam os ovos dos dinossauros. Toda a tecnologia misturada com as densas matas da ilha, trouxeram para o filme o aspecto selvagem e tecnológico ao mesmo tempo.

Personagens: Dentre todas as crianças e jovens que fizeram parte da franquia, Zach e Gray se tornaram os meus preferidos, principalmente porque eles não são aqueles tipos de atores mirins que causam raiva em você em consequência do modo que eles agem ou pensam, mas, mesmo assim, faria mudanças em algumas falas e pequenos dramas que circundam os dois. Não tenho nem palavras direito para descrever Owen e Claire, porque toda interação entre os dois no filme foi muito digna, apresentando suspense e comédia ao mesmo tempo. Muito se discutiu a respeito de uma visão sexista em Jurassic World, mas, as respostas para essa "acusação" falam sobre a importância de Claire para o parque e toda a sua gestão (sim, também ela é um dos elementos principais para o futuro desfecho da história), mas, após sair do cinema, percebi que o filme apresentou sim em algumas cenas essa visão sexista, não muito explícita, mas é possível perceber. A volta do Dr. Henry Wu ao quarto filme da franquia foi extremamente importante, sendo o responsável pela criação da Indominus Rex, que por sinal apresenta um código genético bastante misterioso que só é descoberto ao longo da história. Simon Masrani, o novo dono, apresenta uma tremenda personalidade, mas no fim, perdeu todo o seu trabalho pela ganância e o desejo de enriquecer com novas atrações, o que não deu muito certo. Um dos personagens secundários que me despertou bastante atenção, é operador do parque, Lowery, que demonstra ser um fã fiel de dinossauros e do Jurassic Park, tanto é que ele passou o filme inteiro vestido com a camisa do parque original, e sua mesa de operação é repleta de miniaturas dos dinos. Nunca havia me identificado tanto com um personagem assim antes. Lowery trabalha ali porque gosta, porque quer estar naquele ambiente.

Equipe responsável pela realização de Jurassic World
Direção e Produção: Confesso que fiquei um pouco apreensivo sobre a questão da direção do filme não ser tomada por Spielberg, mas, Colin Trevorrow, que assim como muitos, é fã de Jurassic Park, fez jus ao cargo e soube levar para as telonas o melhor que a nova franquia poderia mostrar. Assim como disse Steven, ver Jurassic World é quase como ver Jurassic Park virar realidade, porque o filme vai além de onde os anteriores não se atreveram a ir. É sempre muito bom ver Spielberg envolvido nas sequências da primeira aventura ao parque, porque ele nos faz retornar à 1993, e lembrar de cada detalhe que deu início à isso tudo. Em Jurassic World temos muitas menções ao primeiro parque e suas instalações na Ilha Nublar, e essa retomada de acontecimentos foi incrível para a nova história do filme.

Dinossauros: O que seria de Jurassic World sem os temíveis dinossauros? Para a produção do longa, os responsáveis pela parte de divulgação do filme criaram um site oficial para o parque. Nele o público poderia encontrar mais informações sobre a localização da ilha, venda de ingressos para visitação, pacotes de viagem, passeios, mapa do parque, atrações e é claro, os dinossauros. Sem dúvida achei a ideia genial, uma das melhores estratégias de divulgação e marketing, despertando em qualquer pessoa que acessasse o site, a sensação de que o parque realmente existe e só falta fazer uma visitinha por lá. As listagens dos dinossauros no site mostram cada espécie, com direito a nome científico, nível de agressividade, altura, peso, dieta, região em que viveu milhões de anos atrás e em qual atração do parque você pode encontrá-lo. Mais uma vez, Jurassic World inovando e nos surpreendendo. Podemos dizer que a trama gira em torno do principal antagonista do filme, Indominus Rex, uma criatura que espalha o caos pela ilha quando consegue escapar de sua "jaula". Indominus definitivamente é a dinossaura mais assustadora de toda a franquia, com seus braços desenvolvidos, uma poderosa mandíbula e outras especialidades que somente a sua carga genética pode permitir tal avanço. Mesmo com a listagem dos 26 dinos no site oficial, em Jurassic World, contamos com a presença de 13 destes, e entre eles temos a estrela do primeiro filme de 1993, Rexy. Sim, ela tem nome! A mesma Tyranossauro Rex que destruiu o carro de Alex e Tim, que caçou os Gallimimus e tomou conta do Centro de Visitantes no final do clássico Jurassic Park. Sinto dizer, mas nem todos os dinossauros do filme apareceram da forma como eu esperava. Em algumas cenas, a aparição de certas espécimes acabou sendo curta, e o que eu mais queria era ficar admirando todas elas por um bom tempo, isso sem contar que o CGI de alguns dinossauros estavam um pouco inferiores a dos filmes lançados anteriormente. Senti falta de Velocyraptors de tamanha perfeição estética como a apresentada em Jurassic Park 3. Embora esse tenha sido um dos pontos negativos, outros dinos demonstraram incríveis efeitos visuais, como a Mosasaurus, Apatosaurus, Ankylosaurus, as Pteranodons e Dimorphodons, e até mesmo a própria Indominus Rex. Com o melhor CGI ou não, tenho certeza que cada pessoa na sala de cinema se impressionou ao ver cada um daqueles animais de volta à vida mais uma vez. Essa, é a mágica de Jurassic Park.
Trilha Sonora: Dessa vez, não tivemos a presença do ilustre John Williams (22 Grammys, 5 Oscars e 4 Globos de Ouro) na trilha sonora de Jurassic World, mas sim de, Michael Giacchino, dono de 3 Grammy Awards, um Oscar e um Globo de Ouro, conquistados pelo seus últimos trabalhos na produção de trilhas sonoras. O álbum conta com o clássico tema do primeiro filme, composta por John, e agora, mais uma vez, ela marca presença nas cenas do longa. Sempre amei trilhas sonoras, e estou bem aqui, fazendo essa resenha, ao som dessa nova obra de Michael, que aliás, é muito boa para se apreciar durante viagens. O que eu não me agradou muito foi a composição da trilha sonora em algumas partes do filme. Certas notas e acordes não caíram muito bem em duas ou três cenas, dando o parecer de que a trilha estava "solta" ou até mesmo perdida entre os vários acontecimentos de Jurassic World, mas, nada que possa ter comprometido a beleza e a fluidez da história.

Estatueta de John Hammond no Centro de Visitantes
Expectativas e realidade: Bem, como fã de toda a franquia, há anos, analiso filme por filme. Logo que foram divulgados os dois trailers oficiais de Jurassic World e os spots, fui logo fazendo as minhas hipóteses, o que gerava em mim uma tamanha ansiedade pela estreia, porém, quando ela ocorreu dois dias atrás, a parte que eu mais queria ver no filme, não aconteceu, simplesmente nada. Eu imaginava que o Jurassic World iria começar com cenas das equipes responsáveis pela construção do novo parque chegando à Ilha Nublar, preparadas para a contenção dos dinossauros que ali habitaram por anos, e como fizeram um perímetro de segurança para iniciar as obras das novas instalações, ou até mesmo retirar destroços que restaram do antigo parque. Toda essa expectativa veio do primeiro poster divulgado pela Universal Pictures logo ali em cima, mostrando exatamente a limpeza das áreas da ilha, e infelizmente, nada disso apareceu. Outras cenas que eu  criava em minha mente, era uma espécie de homenagem ao John Hammond, principalmente porque o ator Richard Attenborough que interpretou o fundador do Jurassic Park em 1993 e 1997, faleceu em agosto do ano passado. No filme, mesmo com a presença da estatueta de John Hammond no Centro de Visitantes, ele foi simplesmente mencionado ao longo de Jurassic World. A falta de explicação de como o poder da ilha fora parar nas mãos de Simon Masrani e logo depois o retorno da Ingen, pode ter confundido as pessoas que viram os filmes anteriores. Sendo sincero, até mesmo eu fiquei confuso.

Assim como Jurassic World apresentou alguns erros técnicos, todos os outros filmes da franquia também não escaparam desse quesito, basta prestar bem atenção em algumas cenas, mas mesmo depois de tantos anos depois de lançados, todos nós ainda nos surpreendemos com a história criada por Michael Chricton em 1990 e a sua adaptação para o cinema. Daqui há anos, ainda amaremos Jurassic World como qualquer outra obra prima que se passe em qualquer uma daquelas ilhas. 
Considerado um dos 100 melhores filmes já feitos, Jurassic Park se tornou um sucesso novamente em 2013, com o relançamento em 3D, alcançando a incrível marca de 1 bilhão em bilheteria. Estima-se que Jurassic World feche a semana de estreia com aproximadamente 204 milhões em bilheteria somente nos EUA, e chegue perto da casa dos 900 milhões em pouco tempo. Esse é um sinal de que toda a divulgação e os gastos necessários para que o filme fosse concretizado, teriam a devida resposta vinda do público que aguardou anos para que esse momento finalmente chegasse. 
Lançado há poucos dias, já há a discussão sobre a futura continuação do longa, aliás, ele deu o pontapé para o início de outra trilogia de dinossauros. Será que iremos ver a outra metade dos dinos disponibilizados no site oficial nessa continuação? Espero que sim. Jurassic World representa a inovação, a tecnologia, o desenvolvimento, o marketing. Jurassic World é a volta dos nossos pesadelos mais selvagens, presentes nas mais longas noites. 

Avaliação: 4/5

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